Bulletin of Hispanic Studies

A Rosary of Disbelief: Unity beyond the Nation in O Fio das Missangas

Bulletin of Hispanic Studies (2007), 84, (4), 489–501.

Abstract

Mozambique's fragmented history and lack of a cohesive nationalist elite or extensive creolization has obliged the country's writers of fiction to mythologize a nation that lacks the kind of national integration that has traditionally supported prose narrative. In the absence of other forms of shared belonging, the revolutionary ideology of FRELIMO has underpinned depictions of moçambicanidade. Writers such as Mia Couto and Nelson Saúte continue to evoke this ideology as the source of a shared sense of belonging. Couto's recognition of the multiplicity of identities experienced by many Mozambicans under globalization coexists with an insistence on the primacy of the 'pátria moçambicana'. Couto's short story collection O Fio das Missangas (2004) revolves around repeated images of the shrivelling of the nationspace and the collapse of traditionally privileged patriarchal male behaviour; the figure of the artist emerges as a unifying force. Images of the artist are deployed to provide the collection with an aesthetic unity that may be read as mimetic of the residual unity of the nation, which outlasts the fragmentation of globalization. The theme of disbelief in the doctrines of revolutionary nationalism, patriarchal masculinity or even traditional African culture (since most of the stories have urban settings) contributes to elevating the artist in spite of the collection's wariness of 'outras formas de pertença'.

A falta de uma história de unidade nacional, tanto quanto de uma elite nacional abrangente ou de uma tradição ampla de mestiçagem cultural priva Moçambique da integração que, tradicionalmente, se associa com a produção de narrativa em prosa. Já que não se impuseram outras formas de pertença, a ideologia revolucionária da FRELIMO sustentou a descrição da moçambicanidade. Ainda hoje escritores como Mia Couto e Nelson Saúte referem-se a esta ideologia como a fonte de um sentimento compartilhado de pertença. Couto reconhece a multiplicidade de identidades experimentada pelos moçambicanos no presente da mundialização; ao mesmo tempo, insiste que a primeira identidade para todos ainda se encontra na 'pátria moçambicana'. O livro de estórias de Couto, O Fio das Missangas (2004), depende de imagens do enfrequecimento do espaço da nação e do desmoronamento do comportamento masculino patriarcal tradicional. Neste contexto, surge a figura do artista como um motivo unificador. Empregam-se imagens do artista para dar ao livro uma unidade estética; esta unidade artística corresponde a imagens da unidade sobrevivente da nação que se opõe à fragmentação infundida pela mundialização. O tema da descrença nas doutrinas do nacionalismo revolucionário, da masculinidade patriarcal ou mesmo da cultura africana tradicional (visto que a maioria das estórias decorre num ambiente urbano) confere uma posição privilegiada ao artista, apesar do livro considerar com cautela quaisquer 'outras formas de pertença'.

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Henighan, Stephen